Irena diz que renováveis exigem US$ 1,7 trilhão por ano até 2030
Capacidade instalada chegou a 5,15 TW em 2025, diante de meta de 11,2 TW; 93 das 120 metas climáticas dependem de apoio internacional.

- A meta de 11,2 TW em 2030 exige crescimento médio de 1,2 TW por ano em capacidade renovável.
- O investimento global caiu de US$ 641 bilhões em 2024 para US$ 625 bilhões em 2025.
- Das 120 metas climáticas analisadas, 93 dependem total ou parcialmente de apoio internacional.
Cumprir a meta internacional de energia renovável até 2030 exige quase triplicar o dinheiro que hoje entra no setor, aponta relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) divulgado na semana passada. O estudo foi produzido junto com a presidência turca da COP31 e com a entidade que reúne o setor no mundo, a Global Renewables Alliance, na terceira avaliação anual dos compromissos firmados na COP28, em 2023, pelo Consenso dos Emirados Árabes Unidos.
A meta fixada é de 11,2 terawatts (TW) instalados em 2030, com 2022 como referência. Em 2025 houve um acréscimo recorde de 693 gigawatts, mas o total subiu apenas para 5,15 TW. Para fechar a conta, o avanço teria de ser de 1,2 TW por ano, em média. Segundo Ben Backwell, presidente da Global Renewables Alliance, mesmo com o recorde ainda há "um longo caminho a percorrer".
O financiamento aparece entre os principais obstáculos. O investimento global em capacidade renovável somou US$ 625 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 641 bilhões de 2024. Para alcançar o objetivo, seria preciso somar outros US$ 8,6 trilhões nos cinco anos até 2030, o equivalente a uma média de US$ 1,7 trilhão por ano.
Em eficiência energética a defasagem é maior. O ganho anual, que deveria ser de 4%, agora teria de subir para 5,6% ao ano no restante da década para cobrir o atraso acumulado. Os aportes em edificações, transportes e indústria precisariam saltar dos US$ 369 bilhões gastos em 2025 para uma média de US$ 3,2 trilhões ao ano.
Das 120 metas climáticas nacionais analisadas, 67% traziam objetivo quantificado para renováveis e 43%, para eficiência. Outras 93 delas, ou 77,5%, condicionam o cumprimento a apoio externo, o que para a Irena torna decisivo ampliar financiamento internacional, assistência técnica e transferência de tecnologia. O atraso preocupa porque o planeta se aproxima de ultrapassar 1,5 °C de aquecimento em relação ao período pré-industrial.
Imagem: Paulo rsmenezes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 br)
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