Empresários cubano-americanos de Miami planejam negócios em Cuba para o pós-regime
Câmara de comércio criada há pouco discute Bolsa de Valores cubana e diz ter apoio de contatos próximos a Marco Rubio, enquanto Havana anuncia 176 medidas de abertura econômica.

- A Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana fez em Miami sua quarta reunião para planejar negócios em Cuba após uma eventual queda do regime.
- O presidente da entidade, Juan Omar Sixto, diz ter apoio de contatos próximos a Marco Rubio e cita a proposta de uma Bolsa de Valores cubana.
- Havana anunciou 176 medidas de liberalização econômica, que os empresários de Miami consideram superficiais.
Empresários cubano-americanos se reuniram numa mansão em Miami, nos Estados Unidos, para discutir negócios em Cuba caso o governo comunista da ilha chegue ao fim. O encontro foi o quarto da Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana (Cancc), entidade criada há pouco, segundo reportagem da BBC publicada pelo g1 neste domingo (11).
O presidente da Cancc, Juan Omar Sixto, que deixou Cuba ainda adolescente e hoje tem pouco mais de 80 anos, afirma que a meta é estar na ilha assim que o regime cair. Segundo ele, o grupo já trabalha em planos para o "dia seguinte", entre eles uma proposta de Bolsa de Valores cubana e comitês que vão de infraestrutura de energia a segurança alimentar.
Planos desse tipo circulam em Miami há décadas. Para Sixto, a novidade é o empenho do governo do presidente Donald Trump em forçar uma mudança profunda em Cuba. Ele diz que os empresários têm contatos próximos ao secretário de Estado, Marco Rubio, e que, além de ajuda humanitária e insumos médicos, pretendem começar a fazer negócios na ilha de imediato. Sixto afirma que só pisará em Cuba depois que o atual regime deixar o poder.
Em Cuba, afirmações assim costumam ser recebidas com ceticismo. Diante da campanha de "pressão máxima" de Washington, o governo cubano anunciou há pouco 176 medidas de liberalização econômica. Entre elas estão o fim do teto de funcionários nas empresas privadas, a contratação e a demissão direta de pessoal e a possibilidade de ser dono de vários negócios ao mesmo tempo, inclusive para cidadãos cubano-americanos. O presidente Miguel Díaz-Canel disse que as medidas servem para defender o socialismo e ampliar a justiça social.
Os presentes à reunião da Cancc minimizam as reformas de Havana: consideram-nas superficiais e sem garantias relevantes para investidores. Críticos do governo cubano, por sua vez, dizem que o pacote se aproxima do capitalismo. A comunidade de exilados que se reúne em Miami inclui famílias de sobrenomes conhecidos, como Bacardí e Babún, que perderam terras e empresas quando Fidel Castro assumiu o poder, em 1959.
Imagem: Sharon Hahn Darlin / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
- Tradicional 1
Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.
