Líderes acompanham aterro em Tuvalu e alerta sobre avanço do mar
Evento pré-COP reuniu representantes de 30 países na nação de 10 mil habitantes, a 2 metros do nível do mar; projeto de US$ 50 milhões amplia 21 hectares

- Tuvalu usou areia dragada da lagoa para aterrar área no Pacífico diante de 30 países.
- País de 10 mil habitantes fica, em média, 2 metros acima do nível do mar.
- Projeto de US$ 50 milhões deve acrescentar 21 hectares à principal ilha.
Representantes de 30 países acompanharam nesta terça-feira (6) a dragagem de areia branca da lagoa de um atol de Tuvalu, usada para aterrar uma área no oceano Pacífico. A demonstração ocorreu antes da pré-COP, conferência preparatória do fórum climático COP31, que será realizado na Turquia em novembro, e evidenciou o esforço da nação para conter o avanço das águas sobre a ilha principal.
Tuvalu é formado por grupos de ilhas de coral, tem cerca de 10 mil habitantes e terras que ficam, em média, apenas dois metros acima da superfície do mar. O ministro das Relações Exteriores do país, Paulson Panapa, disse aos visitantes que estão pisando em solo da linha de frente e que promessas não conterão o avanço das marés, ao pedir ações concretas e decisivas.
A aterragem de seis hectares vem de um programa de US$ 50 milhões (R$ 248,5 milhões), bancado por doadores, cujos recursos já custearam diques e barreiras marítimas de proteção. O gerente do trabalho, Alan Resture, explicou que se trata do terceiro de uma série que somará 21 hectares à principal ilha, relevante em país com 26 quilômetros quadrados de área terrestre.
Pesquisadores da Nasa calculam que o mar em volta de Tuvalu subiu 15 centímetros nas três décadas que terminaram em 2023, o dobro do ritmo médio do planeta. O chefe do departamento de mudanças climáticas da nação, Jamie Ovia, avisou que outros 30 centímetros até 2050 intensificariam as inundações, que passariam a ser muito maiores e mais destrutivas do que as que antes ocorriam uma vez a cada cem anos.
A presença ficou abaixo do previsto: entre os 14 chefes de Estado e de governo que compareceram, 11 vieram de ilhas do Pacífico, segundo o governo australiano, ao lado da Austrália, de Maurício e de Timor-Leste. A Austrália, que lidera as negociações climáticas este ano, buscou em parceria com os países da região destacar a questão do nível do mar e fortalecer seus laços com o Pacífico.
Imagem: NASA Earth RIght Now / Wikimedia Commons (Public domain)
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