Pesquisa detecta fratura de 75 km no fundo do Pacífico, na zona de Cascadia
Fissura atravessa a litosfera oceânica e funciona como via de circulação hidrotermal, segundo equipe internacional apoiada pela agência de ciência dos EUA.

- A fratura tem 75 quilômetros e fica na zona de subducção de Cascadia, no fundo do Oceano Pacífico.
- A fenda alcança a litosfera oceânica e serve de via para circulação hidrotermal e alívio de tensão.
- A NSF vai financiar novas missões com sismômetros de fundo oceânico para medir a expansão da fratura.
Uma equipe internacional de pesquisadores identificou uma fratura de 75 quilômetros de extensão no leito do Oceano Pacífico, na zona de subducção de Cascadia, uma das áreas oceânicas mais monitoradas do planeta. Segundo o levantamento, a fenda não se limita à camada de sedimentos da superfície: alcança a litosfera oceânica, a camada rochosa sólida que fica abaixo da crosta.
Imagens feitas por um navio científico mostram que a fissura funciona como caminho ativo de circulação hidrotermal e como ponto de escape da tensão acumulada na placa. A Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) bancou a expedição e deu o apoio logístico; o levantamento combinou submarinos de grande profundidade, sísmica de alta resolução e sensores autônomos.
Os dados contrariam a leitura da crosta oceânica como bloco rígido e homogêneo. A medição indica uma estrutura sob tensão interna severa, capaz de romper a rocha em áreas onde falhas ativas não eram previstas. Para Emily Roland, pesquisadora principal em sismologia submarina no Pacífico, fraturas desse porte atuam como pontos de alívio, por onde a energia acumulada se libera.
As medições também apontam uma flexão da placa bem mais intensa do que indicavam as projeções anteriores. Essa diferença muda a forma como os terremotos se propagam pela margem continental do Pacífico e altera a quantidade de fluidos que se infiltra no manto terrestre.
A NSF vai manter o financiamento de missões de acompanhamento na área, com instalação de sismômetros no fundo do mar e uso de veículos operados a distância. O objetivo imediato é saber se a fratura continua a se expandir e medir quanta energia tectônica segue sendo liberada ali.
Imagem: Davezelenka / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
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