Genoma de tartaruga de 194 anos revela pistas sobre longevidade
Estudo na Science Advances achou 287 variantes genéticas ligadas à proteção das células em Jonathan, tartaruga-gigante tida como o animal terrestre mais velho

- Jonathan, tartaruga-gigante-de-aldabra que se acredita ter 194 anos, teve o genoma analisado.
- O estudo, publicado na Science Advances, achou 287 variantes genéticas ligadas à proteção das células.
- Os autores dizem que o achado pode inspirar, no futuro, tratamentos contra o declínio celular em humanos.
Uma análise do genoma de Jonathan, tartaruga-gigante-de-aldabra considerada o animal terrestre mais velho do mundo, apontou características genéticas que podem explicar a longevidade dele. O estudo saiu na quarta-feira (7) na revista Science Advances, e a CNN Brasil divulgou o resultado neste domingo (11). Acredita-se que Jonathan tenha 194 anos e esteja perto de completar 200.
A espécie é nativa das ilhas Seychelles, no Oceano Índico, mas Jonathan passou a maior parte da vida em Santa Helena, ilha remota do Atlântico Sul e território ultramarino britânico. As tartarugas-gigantes figuram entre os animais terrestres que mais vivem, e há registros de indivíduos que ultrapassam um século. Mesmo nesse grupo, Jonathan é um caso extremo.
Os pesquisadores examinaram o genoma do animal, o conjunto completo de seu DNA, e também o epigenoma, que reúne os mecanismos que ligam e desligam os genes. Eles identificaram 287 variantes genéticas associadas à proteção contra os danos que as células acumulam com o tempo.
Justin Gerlach, coautor do estudo e pesquisador de biologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, afirmou que Jonathan tem genes especialmente eficientes no reparo do DNA e no controle da inflamação, dois processos que retardam o envelhecimento. Segundo ele, a análise sugere que o animal continua ativando os genes certos, na intensidade adequada, mesmo em idade avançada. Gerlach disse que esse ajuste costuma falhar bem mais cedo na maioria dos animais, inclusive nos humanos.
Outra explicação possível é o ritmo de vida das tartarugas. Gerlach lembrou que há tempos se presume que o metabolismo delas seja muito lento. Com isso, as reações químicas dentro das células seriam menos frequentes, o que reduziria o dano às células e ao DNA. O estudo sugere que Jonathan vive devagar até em nível genético.
O pesquisador ressalvou que ainda não se sabe se o quadro vale só para Jonathan ou se é comum a todas as tartarugas-gigantes. Os autores afirmam que as descobertas podem, eventualmente, contribuir para tratamentos que retardem o declínio celular associado à idade em pessoas.
Imagem: Kevstan / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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