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domingo, 11 de outubro de 2026
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Ciência Biologia marinha Austrália

Pepino-do-mar-preto pode passar de 100 anos de vida, aponta estudo australiano

Identificação por DNA na Grande Barreira de Corais achou vivos 60% dos animais amostrados em 2000, e alguns poderiam chegar aos 123 anos.

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Ilustração da notícia: Pepino-do-mar-preto pode passar de 100 anos de vida, aponta estudo australiano
Em 30 segundos
  • Pesquisa publicada na iScience indica que o pepino-do-mar-preto pode viver mais de 100 anos.
  • Dos animais amostrados em 2000 na Grande Barreira de Corais, 31 de 53 encontrados em 2024 tinham o mesmo DNA.
  • Nenhum exemplar juvenil foi localizado nas duas expedições, o que indica renovação lenta da população.

O pepino-do-mar-preto, da espécie Holothuria whitmaei, vive muito mais do que se estimava: pode ultrapassar os 100 anos, e uma parcela dos indivíduos chegaria aos 123. A conclusão é de uma equipe de cientistas australianos em pesquisa publicada na revista iScience, que acompanhou os mesmos animais por mais de duas décadas.

O trabalho começou em 2000, quando pesquisadores do Australian Institute of Marine Science (AIMS) recolheram, na Grande Barreira de Corais, pequenas porções de tecido de vários indivíduos. Como as marcas físicas usadas na época se deterioravam rápido, a equipe passou a identificar cada animal pelo DNA, o que permitiu comparar com precisão coletas feitas em momentos diferentes.

Em setembro de 2024, os cientistas voltaram ao ponto de coleta, em Bird Islet, na ilha Lizard. Encontraram 53 exemplares vivos, e 31 deles tinham correspondência genética com as amostras de 2000: ao menos 60% dos animais analisados na primeira expedição seguiam vivos no mesmo habitat 24 anos depois. Outra constatação foi a ausência de crescimento. Já adultos em 2000, mediam entre 26 e 42 centímetros e, duas décadas mais tarde, a maioria havia encolhido, com perda média de 21% do peso e 14% do comprimento.

Pelos dados de sobrevivência, a mortalidade anual entre adultos ficou em cerca de 3,7%, taxa que levaria aproximadamente 1% de uma geração aos 123 anos. Os autores classificam a estimativa como conservadora, já que parte dos animais pode ter deixado a área estudada ou simplesmente não ter sido detectada.

A longevidade vem acompanhada de um problema: nas duas expedições nenhum exemplar jovem foi encontrado, sinal de renovação muito lenta da população. A espécie, que ocorre nos oceanos Pacífico e Índico, é consumida cozida, seca e defumada com o nome de bêche-de-mer, está ameaçada de extinção pela pesca comercial e teve a captura proibida na Grande Barreira de Corais em 1999, após o declínio populacional. Nos recifes, esses animais se alimentam de sedimento do fundo e ajudam a reciclar nutrientes e a revolver o substrato, processos que sustentam o equilíbrio do ecossistema.

Imagem: François Michonneau / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

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  1. BH 24 HorasSem classificação Pesquisas revelam que pepino-do-mar preto pode viver mais de um século e apresenta crescimento lento
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