Nobel de Química premia Kagan e Soai pelo estudo das moléculas espelhadas
Francês de 95 anos e japonês de 76 dividem 12 milhões de coroas suecas por descobertas de 1986 e 1995 que explicam como surgem moléculas de um único lado

- Henri Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, dividem o Nobel de Química de 2026.
- As descobertas de 1986 e 1995 explicam como uma reação pode gerar quase só uma das duas formas espelhadas de uma molécula.
- A premiação soma 12 milhões de coroas suecas e a entrega está marcada para Estocolmo.
O Nobel de Química de 2026 foi concedido aos cientistas francês Henri Kagan e japonês Kenso Soai, anunciados nesta quarta-feira (7) pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo. A premiação reconhece as descobertas de efeitos não lineares e de autocatálise na síntese orgânica assimétrica, que ajudaram a explicar por que certas moléculas existem preferencialmente em uma única das duas versões espelhadas.
Kagan, 95 anos, deu o primeiro passo em 1986, ao mostrar um modo de conduzir reações químicas que deslocava a proporção entre as duas formas espelhadas de uma molécula além do que se conseguia até então. O segundo veio com Soai, 76 anos, que em 1995 descreveu uma reação em que o próprio produto formado acelera a produção de mais moléculas iguais a ele — a autocatálise, capaz de amplificar um desequilíbrio inicial minúsculo.
O mistério resolvido pelos dois é antigo: moléculas como os aminoácidos existem em duas versões simétricas, como a mão direita e a esquerda, mas os organismos vivos usam quase só uma delas. Esse fenômeno, chamado homoquiralidade, nunca havia sido explicado, e nos tubos de ensaio as reações laboratoriais costumavam produzir as duas versões em partes iguais.
Segundo o Nobel, a conquista permitiu aos químicos direcionar reações para obter predominantemente a forma desejada de uma molécula — o que se reflete em medicamentos com menos impurezas e menor chance de efeitos indesejados, além do uso do mesmo princípio na produção de aromas, fragrâncias e defensivos agrícolas.
O valor entregue aos dois é dividido em partes iguais e soma 12 milhões de coroas suecas, montante que equivale a R$ 6,2 milhões. A cifra subiu 1 milhão de coroas em relação ao ano passado, na conta do centenário e meio do prêmio. Para Heiner Linke, que comanda o comitê responsável pela premiação, as reações criadas pelos laureados são espetaculares.
Imagem: Agência Brasil Fotografias / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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