Gasolina fica estável há seis meses no Brasil, mesmo com a guerra e a alta do petróleo
Litro custava em média R$ 6,54 na última semana medida pela ANP, 3,4% abaixo de abril. Governo anunciou a desoneração total dos tributos federais sobre o combustível.

- A média nacional foi de R$ 6,54 por litro entre 4 e 10 de outubro, ante R$ 6,77 em abril, queda de 3,4%.
- Nas últimas dez semanas, o preço médio oscilou só entre R$ 6,51 e R$ 6,55, segundo dados da ANP.
- O governo anunciou na sexta-feira (9) a desoneração total dos tributos federais sobre a gasolina.
O preço médio da gasolina comum no Brasil está praticamente estável desde abril, mesmo com a guerra no Oriente Médio pressionando o petróleo no exterior. Levantamento feito pela CNN Brasil com dados da ANP aponta que o litro não teve novas altas expressivas desde o início daquele mês, com oscilações pequenas e queda gradual ao longo de seis meses.
Na primeira semana de abril, o litro custava em média R$ 6,77. Entre 4 e 10 de outubro, a média nacional ficou em R$ 6,54, uma redução de 23 centavos, ou 3,4%. O recuo foi gradual, com valores perto de R$ 6,61 em junho e abaixo de R$ 6,60 em julho. Nas últimas dez semanas, a média oscilou entre R$ 6,51 e R$ 6,55, diferença de cerca de 0,6%.
O quadro contrasta com março, quando a escalada do conflito levou as cotações do petróleo a disparar. Entre 1º e 7 daquele mês, a gasolina custava R$ 6,30. Entre 22 e 28 de março, chegou a R$ 6,78, o maior valor do período analisado, alta de 7,6% em três semanas. Mesmo com o recuo posterior, o preço atual está 3,6% acima dos R$ 6,31 da primeira semana de fevereiro.
De acordo com a CNN Brasil, o comportamento dos preços ocorre em meio a medidas do governo federal para conter o efeito da alta do petróleo, com subvenções a produtores e importadores ligadas à cobrança de tributos federais. Na sexta-feira (9), o governo anunciou a desoneração total dos impostos federais sobre a gasolina.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a aposta do governo é, se não chegar a recuperar os preços de antes da guerra, ao menos reduzir os efeitos dela. Segundo ele, o objetivo é que a queda seja repassada ao consumidor na bomba, o que depende de um mercado complexo. Moretti disse que "a liberdade de preço não se confunde com a liberdade de abuso de preços" e que o governo vai ficar vigilante.
Imagem: Mariordo Mario Roberto Duran Ortiz / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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