Nike vê ações recuarem 75% em cinco anos e perde Mbappé para a rival On
Maior marca de roupas esportivas do mundo saiu do índice S&P 100 no mês passado e tenta se reerguer com a reestruturação conduzida por Elliott Hill.

- As ações da Nike caíram 75% nos últimos cinco anos.
- A empresa deixou o índice S&P 100 da bolsa americana no mês passado.
- Kylian Mbappé rompeu contrato de 20 anos com a marca e assinou com a On.
A Nike atravessa uma sequência de perdas de vendas, de clientes e de valor de mercado, segundo reportagem da BBC publicada pelo g1 nesta sexta-feira (3). O preço das ações da companhia recuou 75% em cinco anos e a empresa deixou, no mês passado, o índice S&P 100 da bolsa americana, reservado às maiores companhias abertas do país.
A tentativa de virada está nas mãos de Elliott Hill, funcionário veterano da companhia que foi convencido a deixar a aposentadoria há cerca de dois anos para assumir o comando. Os resultados financeiros mais recentes indicam que a reestruturação começa a dar efeito, mas em ritmo lento.
A recuperação teve um tropeço na semana passada, com a saída de Kylian Mbappé. O atacante do Real Madrid encerrou uma relação de 20 anos com a marca e passou a vestir a suíça On, concorrente em expansão rápida.
Para o analista de varejo esportivo Matt Powell, a empresa acumulou erros estratégicos difíceis de desfazer, entre eles romper com lojistas parceiros para vender direto ao consumidor pela internet e ampliar a oferta de modelos de edição limitada. "Quanto mais acessíveis esses sapatos se tornavam, menos pessoas se interessavam", disse Powell à BBC. Ele também afirma que verbas de pesquisa e desenvolvimento foram para a operação digital em vez de produtos novos.
A guinada digital foi conduzida por John Donahoe, que dirigiu o eBay antes de chegar à Nike e deixou o cargo para Hill. Seus quatro anos no comando coincidiram com a queda acentuada das ações: as vendas subiram no período de restrições da pandemia, quando a compra on-line cresceu, e depois foram contidas pela pressão do custo de vida sobre os consumidores.
Com a demanda em baixa em mercados importantes, como a China, a companhia anunciou corte de custos e demissões. No mesmo intervalo, marcas como On e Hoka ocuparam espaço de prateleira que era da Nike nas lojas.
Imagem: Gary Halvorson, Oregon State Archives / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
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