Maior revisão sobre canabinoides e saúde mental aponta lacunas nas evidências
Metanálise com 54 ensaios e 2.477 participantes não encontra comprovação para a maioria das indicações e registra eventos adversos.
O estudo não conclui que canabinoides não funcionam: aponta falta de evidências.

- O trabalho reúne 54 estudos clínicos e 2.477 pessoas, todos publicados entre 1980 e 2025.
- Não há comprovação de eficácia para ansiedade, TDAH, transtorno bipolar ou depressão.
- Os autores registram um evento adverso a cada sete pacientes, sem eficácia comprovada.
A maior revisão sistemática já feita sobre canabinoides e transtornos mentais concluiu que ainda faltam estudos consistentes, com amostras maiores, para a maioria das indicações. Há indícios promissores para insônia, para o transtorno do espectro autista, para a síndrome de Tourette e para o transtorno por uso de cannabis, porém, a qualidade das evidências é baixa ou muito baixa, e por isso o uso rotineiro desses produtos não se justifica.
As conclusões vêm da maior metanálise de ensaios clínicos randomizados já produzida sobre o assunto, feita por grupos das universidades australianas de Sydney, Queensland e Melbourne e da universidade britânica de Bath. O trabalho olhou substâncias da Cannabis sativa, como canabidiol e tetra-hidrocanabinol, e saiu em março na revista The Lancet Psychiatry. A análise cobre 54 estudos publicados de 1980 a 2025, somando 2.477 pessoas acompanhadas por cerca de cinco semanas.
Não houve comprovação de eficácia em ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, quadros de estresse pós-traumático e dependência de opioides. Também faltam dados para avaliar TDAH, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno por uso de tabaco — e a metodologia usada não encontrou ensaios sobre depressão, um dos transtornos mais comuns do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas convivem com problemas de saúde mental.
Segundo Lucindo José Quintans Júnior, professor da Universidade Federal de Sergipe e coordenador do Lanef, o estudo não diz que canabinoides não funcionam, mas que faltam evidências para recomendar o uso rotineiro: “para uma parcela importante dessas condições, ainda não temos evidências clínicas suficientes para afirmar que funcionam”.
José Luiz da Costa, do Ciatox, centro de assistência toxicológica ligado à Unicamp, avalia que o balanço aponta mais um efeito indesejado para cada sete pessoas tratadas, sem benefício comprovado. O mesmo grupo australiano publicou metanálise semelhante em 2019, na mesma revista: sete anos depois, o que cresceu foi o volume de evidências, não a qualidade.
Imagem: United States Fish and Wildlife Service / Wikimedia Commons (Public domain)
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Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
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Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.
