Uso diário de analgésicos pode esconder a causa da dor, alerta médico
Especialista ouvido pela CNN Brasil diz que o remédio contínuo atrasa o tratamento; estudo com 4,3 milhões de pacientes aponta dependência de opioides em 9,3%.
O conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

- O uso contínuo de analgésicos pode mascarar a causa da dor e atrasar o tratamento, segundo o médico Lúcio Gusmão.
- Estudo na revista Addiction com 4,3 milhões de pacientes registrou dependência ou transtorno de uso de opioides em 9,3%.
- Para a dor crônica, o médico defende tratamento personalizado, com fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.
Tomar analgésicos como paracetamol ou dipirona com frequência para aliviar dores pode deixar de ser solução e virar problema, segundo reportagem da CNN Brasil publicada neste domingo (11). De acordo com o texto, o uso contínuo afasta os sintomas, mas pode esconder a causa da dor e atrasar o tratamento adequado.
O médico Lúcio Gusmão, que atua com dor e fundou a Rede CADE, afirma que o sinal de alerta aparece quando o remédio deixa de aliviar um incômodo pontual e passa a ser um recurso permanente para dar conta da rotina. Para ele, o analgésico tem papel em algumas situações, mas não deve ser a resposta a todo desconforto.
Quando alguém precisa do medicamento várias vezes para seguir o dia, diz o médico, é preciso investigar por que a dor continua. Ele avalia que a correria e a cobrança por produtividade levam muita gente a evitar a consulta e a buscar só o alívio imediato, em vez da recuperação da função do corpo no longo prazo.
A preocupação aumenta com os analgésicos opioides, como a morfina. A reportagem cita estudo publicado na revista Addiction com 4,3 milhões de pessoas com dor crônica não ligada a câncer tratadas com esses remédios: 9,3% desenvolveram dependência ou transtorno de uso, e quase 30% apresentaram sinais e sintomas dessas condições.
Gusmão explica que a dependência não surge pelo uso por um período curto, mas depende de fatores como o tipo de medicamento, o tempo de uso, a dose, a genética e o contexto da dor. Ele cita a cannabis medicinal (CBD e THC), em administração controlada, como uma forma de reduzir esse risco, com menor nível de dependência e menos efeitos colaterais, segundo o médico.
No consultório, afirma, aparecem pacientes que tomam por conta própria analgésicos e anti-inflamatórios fortes. Ele diz adotar um protocolo de desmame, com retirada gradual conforme o remédio e o tempo de uso, e outras estratégias para manter os sintomas sob controle. Para a dor crônica, defende tratamento personalizado, com fisioterapeutas, psicólogos e profissionais de educação física.
Ilustração gerada por IA (FLUX-2-klein-9b-base)
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