Fifa: 20% das mensagens ofensivas analisadas durante a Copa do Mundo eram racistas
Relatório da entidade identificou cerca de 240 mil publicações ofensivas contra 812 pessoas; a seleção da França foi a mais atacada, e 33% dos ataques a ela eram raciais.
Os números vêm de relatório da própria Fifa.

- A Fifa analisou mais de 17 milhões de publicações e apontou cerca de 240 mil como ofensivas, 20% delas racistas.
- As ofensas atingiram 812 pessoas, mais da metade dos envolvidos no torneio, segundo a entidade.
- A França foi a seleção mais atacada, com 33% de ofensas raciais; 9,2 milhões de mensagens foram bloqueadas antes de serem vistas.
A Fifa divulgou nesta sexta-feira (9) um relatório sobre abuso online durante a Copa do Mundo deste ano. Em um universo de mais de 17 milhões de posts nas redes examinados, cerca de 240 mil foram classificadas como ofensivas, e 20% delas tinham caráter racista. O documento saiu na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado no sábado (10).
O monitoramento ocorreu entre 9 de junho e 20 de julho, em X, Instagram, Facebook e TikTok. Acompanhou as contas oficiais das 48 seleções e 1.606 pessoas: 1.248 atletas, 188 treinadores e integrantes de comissões técnicas e 170 oficiais de arbitragem. Segundo a entidade, as 240.676 postagens ofensivas atingiram 812 indivíduos, ou 50,6% dos envolvidos no torneio, disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
Essas mensagens estavam entre as 477.217 enviadas à revisão humana depois de sinalizadas pela inteligência artificial do serviço de proteção da Fifa. A federação diz que 60,7 milhões de mensagens circularam nas plataformas da entidade e das seleções no período, e que 9,2 milhões (15%) foram bloqueadas automaticamente antes de chegar ao público.
O relatório cita um jogador, sem revelar o nome, que recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas, 40% delas racistas, além de ataques de homofobia, sexismo e transfobia. Segundo a Fifa, os ataques cresceram depois que comentários de cunho racial sobre ele, feitos por uma figura pública, foram muito compartilhados.
Entre as postagens revisadas, 15% traziam alegações de corrupção, em sua maioria contra a própria Fifa, e 14% eram ameaças violentas, com pico depois de o Brasil perder para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas. Outros 12% continham ataques xenofóbicos. A França foi a seleção mais atingida, com 33% de ofensas raciais; na Inglaterra, ataques racistas e xenofóbicos somados chegaram a 21%.
Em comunicado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, reafirmou o compromisso de proteger a comunidade do futebol contra o discurso de ódio, com tecnologia capaz de combater tanto conteúdos feitos por pessoas quanto imagens geradas por inteligência artificial.
Imagem: United Nations Office on Drugs and Crime / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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