Deputados dos EUA acusam governo Trump de interferir na eleição brasileira
Carta de 12 democratas a Marco Rubio cobra respostas até 20 de outubro, cita revogação do visto da embaixadora brasileira e pede explicações sobre o sistema eleitoral.
A carta é assinada apenas por parlamentares do Partido Democrata, na oposição ao governo Trump.

- 12 deputados democratas enviaram carta ao Departamento de Estado acusando o governo Trump de tentar influenciar a eleição no Brasil.
- O documento cita a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, tarifas e sanções ligadas à prisão de Bolsonaro.
- Os parlamentares exigem respostas de Marco Rubio até 20 de outubro, véspera da decisão do segundo turno no Brasil.
Doze parlamentares democratas enviaram uma carta ao Departamento de Estado acusando a gestão de Donald Trump de buscar influenciar o pleito brasileiro. O texto, com três páginas, foi entregue ao secretário Marco Rubio na terça-feira (6) e traz apenas assinaturas do Partido Democrata, na oposição ao presidente.
No documento, os congressistas afirmam que a postura do departamento promove uma escalada desnecessária, capaz de provocar ruptura nas relações entre os dois países. Eles citam a retirada do visto da chefe da representação brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada em agosto pelos EUA em retaliação à demora brasileira em aceitar a indicação de Daniel Perez ao posto de embaixador americano na capital.
Para os parlamentares, a medida mancha a imagem dos Estados Unidos na região e acaba aproximando o Brasil de adversários de Washington. A retirada do visto entraria numa lista de ações destinadas a influenciar o resultado do pleito brasileiro, ao lado de tarifas e sanções punitivas contra autoridades do Brasil pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e de reportagens que indicam que os EUA planejavam enviar duas autoridades ao país para semear dúvidas sobre o sistema eleitoral.
Os parlamentares pedem a Rubio justificativas para a retirada do visto e explicações sobre a intenção de enviar as autoridades americanas, questionando que evidências o departamento tem de que o sistema eleitoral brasileiro não é confiável. O prazo dado ao secretário vai até 20 de outubro, dias antes da decisão do segundo turno no Brasil.
O documento fecha com a tese de que Washington ganha quando contribui para fortalecer a democracia brasileira, e não quando apoia os autores da tentativa golpista de 2022. Para os signatários, as relações precisam se pautar pela vontade do eleitorado, e não pelo resultado que o presidente Trump prefere.
Imagem: Gage Skidmore from Surprise, AZ, United States of America / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
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