Astrônomos dizem ter captado rádio de exoplaneta com campo magnético gigante
Rajadas atribuídas a Beta Pictoris b, a 63 anos-luz, indicariam campo pelo menos 200 vezes mais forte que o de Júpiter, diz pesquisador de Harvard.
O estudo está em pré-publicação e ainda não passou por revisão por pares.

- O sinal de rádio é atribuído ao exoplaneta Beta Pictoris b, a 63 anos-luz da Terra.
- Segundo Edo Berger, o campo magnético do planeta é pelo menos 200 vezes mais forte que o de Júpiter.
- O artigo entrou no ArXiv em 15 de setembro e ainda aguarda avaliação de outros cientistas.
Uma equipe de astrônomos afirma ter registrado pela primeira vez, de forma direta, ondas de rádio emitidas por um planeta de fora do sistema solar. O alvo é Beta Pictoris b, gigante gasoso distante 63 anos-luz da Terra, e o resultado aparece em artigo que entrou no ArXiv no dia 15 do mês passado, repositório onde os textos circulam antes do crivo de outros especialistas, e que ainda não saiu em revista científica.
O grupo associa as rajadas repetidas de rádio não a uma origem artificial, mas a processos ligados ao campo magnético do planeta. “Sei que sinais de rádio estão associados a buscas por inteligência extraterrestre”, afirmou Edo Berger, professor de astronomia da Universidade de Harvard e coautor do estudo. Segundo ele, o caso é de natureza diferente.
Pela descrição dos pesquisadores, o que foi detectado é uma emissão de rádio auroral: partículas carregadas em alta energia giram presas ao campo magnético e, além do brilho das auroras, produzem ondas de rádio. Berger, que trabalha no centro de astrofísica mantido por Harvard e pela instituição Smithsonian, no estado americano de Massachusetts, disse que captar essas frequências exige um campo magnético extremamente intenso — no caso de Beta Pictoris b, pelo menos 200 vezes o de Júpiter.
O planeta tem cerca de 12 vezes a massa de Júpiter e é um dos três corpos que orbitam uma estrela jovem com 1,75 vez a massa do Sol. Para efeito de comparação, a NASA estima que a magnetosfera de Júpiter seja a maior estrutura do sistema solar, com extensão de até 3 milhões de quilômetros na direção do Sol.
Campos magnéticos funcionam como escudo: o da Terra evita que o vento solar, fluxo contínuo de plasma com prótons e elétrons, arranque a atmosfera do planeta. Emissões aurorais de rádio já haviam sido observadas em Júpiter, Saturno e no Sol, além de estrelas de outros sistemas e de anãs marrons, objetos frios em estágio intermediário entre estrela e planeta.
Imagem: ESO/Digitized Sky Survey 2 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
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