Setores do TSE e do STF veem risco político em apuração sobre ingerência dos EUA
Diretor-geral da PF confirmou procedimento prévio aberto a pedido da AGU; horas depois, a corte eleitoral afirmou não haver indicativo de interferência.
Parte do relato vem de fontes não identificadas e descreve cenários ainda hipotéticos.

- A PF confirmou procedimento prévio sobre suposta interferência externa, aberto após representação da AGU.
- No mesmo dia, o presidente da corte eleitoral disse não haver indicativo de ingerência estrangeira.
- O PT pediu que o caso fique com Flávio Dino, com base na ADPF 1178.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e alas do Supremo Tribunal Federal e da corte eleitoral receberam com desconfiança a abertura de uma apuração da Polícia Federal sobre suposta interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira, segundo a CNN Brasil. O receio relatado é que o tema alimente a contestação do resultado ou sirva de apoio a decisões judiciais contra o reconhecimento de uma eventual vitória do candidato no segundo turno.
Andrei Rodrigues, que dirige a corporação, tratou do assunto na manhã de domingo (4), em visita à sede da Polícia Rodoviária Federal, onde funciona o centro nacional que integra comando e controle durante a votação. Ele disse que uma representação da Advocacia-Geral da União foi encaminhada à Diretoria de Inteligência e que a apuração já corre como procedimento prévio, sem portaria de inquérito publicada.
Cerca de duas horas depois, Kassio Nunes Marques, à frente da corte eleitoral, afirmou não haver "nenhum indicativo" de interferência externa. Segundo ele, as equipes de monitoramento de riscos internacionais não identificaram ameaça ligada ao pleito.
Reservadamente, magistrados e auxiliares ouvidos pela emissora tratam a iniciativa como possível movimento combinado entre a polícia, a AGU e o ministro Flávio Dino. O PT pediu formalmente que Dino assuma o caso com base na ADPF 1178, ação que discute se municípios podem acionar a Justiça de outros países por danos ocorridos em território brasileiro, como fizeram prefeituras mineiras ao processar mineradoras estrangeiras em Londres pelo rompimento da barragem em Mariana, em 2015.
Pela mesma ação, o ministro já barrou no país sanções financeiras contra Alexandre de Moraes no âmbito da Lei Magnitsky, e acolheu a posição do Instituto Brasileiro de Mineração de que leis estrangeiras não valem automaticamente no Brasil. O temor descrito por essas alas é que a ADPF seja usada para atrasar a proclamação de um eventual vitorioso do PL.
O cenário é acompanhado pelas Forças Armadas, conforme dois oficiais da ativa relataram à CNN. A leitura predominante, por ora, é de que o discurso sobre ingerência americana funcionaria como justificativa para uma eventual derrota do governo. A notícia-crime da AGU foi apresentada na semana passada à Procuradoria-Geral da República e à própria polícia, assinada pelo advogado-geral Jorge Messias, com base em reportagem do jornal britânico The Guardian.
Imagem: Rodrigo Rocatto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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3 reaçõesSua reação é secreta: ninguém vê quem reagiu, só os totais.
Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
- Tradicional 1
Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.
