Moda de selfies dos anos 80 no ChatGPT leva especialistas a alertar sobre dados pessoais
Segundo a BBC News Brasil, enviar fotos a geradores de imagem por IA expõe dados biométricos e alimenta as empresas, dizem especialistas.

- Selfies transformadas em retratos dos anos 80 pelo gerador de imagens do ChatGPT se espalharam por Instagram, TikTok e X.
- Para Carissa Véliz, de Oxford, fotos enviadas a uma IA trazem dados biométricos que não podem ser trocados.
- Catarina Doria, especialista em ética da IA, chama o fenômeno de "fun for data" (diversão por dados).
Uma tendência nas redes sociais que transforma selfies em retratos com estética dos anos 80 (cabelão, fotos granuladas e cores neon) passou a preocupar especialistas em privacidade, segundo a BBC News Brasil, em reportagem de 12 de outubro. As imagens saem do gerador de imagens do ChatGPT, a partir de comandos que pedem ao usuário que envie fotos próprias, e se espalharam por Instagram, TikTok e X.
A BBC afirma que a moda reflete uma mudança mais ampla: ferramentas de IA generativa, antes restritas a entusiastas, hoje fazem parte do dia a dia. A estética dos anos 80 é a mais recente de uma série de modas movidas por IA, que antes trouxe retratos personalizados da infância, usuários caracterizados como figuras de fantasia e imagens feitas para datas festivas.
Para a especialista em ética da IA Catarina Doria, esses modismos atraem novos usuários e os estimulam a compartilhar dados pessoais, o que beneficia as empresas de IA generativa. Ela diz que o público é levado a subir um volume crescente de fotos, próprias e de outras pessoas. Doria chama o fenômeno de "fun for data" ("diversão por dados", em tradução livre): dados pessoais entregues em troca de entretenimento, em geral sem avaliar bem as consequências.
Carissa Véliz, professora associada de filosofia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde atua no Instituto de Ética em IA, diz que quem envia fotos a uma IA entrega alguns dos dados mais sensíveis que possui. As imagens podem trazer metadados, como a localização, e também informações biométricas. Segundo ela, os traços do rosto são um caso delicado porque, ao contrário de uma senha roubada, não há como trocá-los depois de um vazamento.
Doria avalia que os riscos podem superar os de redes como Instagram e Facebook, ou até de aplicativos de namoro como o Tinder, porque os usuários costumam enviar várias imagens de boa qualidade. Ela lembra que muita gente também conta a chatbots detalhes sobre trabalho, relacionamentos e interesses, e que, somados às fotos, esses dados ajudam a montar perfis mais completos. Os especialistas apontam ainda incerteza sobre o uso futuro das informações compartilhadas hoje.
Ilustração gerada por IA (FLUX-2-klein-9b-base)
E você, o que achou?
0 reaçõesSua reação é secreta: ninguém vê quem reagiu, só os totais.
Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
- Internacional 1
Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.
