Cartéis mexicanos adaptam laboratórios de metanfetamina sob pressão dos EUA
Após a descoberta de um suposto megalaboratório em Chihuahua, especialistas dizem que grupos migram para estruturas menores, enquanto o fentanil recua e a metanfetamina avança.
Parte das informações vem de análises de especialistas, não de dados oficiais.

- Um suposto laboratório em Chihuahua produziria até 100 kg de metanfetamina por dia, segundo o g1.
- Especialistas dizem que os cartéis passam a usar estruturas menores e até áreas urbanas.
- O fentanil dá sinais de retração, mas a metanfetamina segue em expansão, afirmam os analistas.
Em meados de setembro, foi descoberto um suposto laboratório clandestino de metanfetamina perto da cidade de Parral, no estado mexicano de Chihuahua. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (12) pelo g1, o local teria condições de fabricar até 100 quilos da droga por dia. A governadora do estado, María Eugenia Campos, disse que cem mil doses diárias deixarão de chegar às ruas e de atravessar a fronteira.
O governo mexicano reforçou as ações contra o tráfico por pressão dos EUA, mas especialistas ouvidos na reportagem afirmam que os cartéis ajustaram a forma de produzir e de distribuir. Eles apontam que o mercado de fentanil mostra sinais de retração, ao passo que a metanfetamina segue em alta, com métodos mais baratos e procura constante nos dois países.
O analista de segurança David Saucedo explica que os traficantes quiseram primeiro depender menos da cocaína da Colômbia e apostaram nas drogas sintéticas. Segundo ele, os maiores cartéis montaram complexos industriais, como o de Chihuahua, de cerca de mil metros quadrados. Já os grupos menores operam laboratórios rudimentares de uns cinco metros quadrados, em áreas isoladas onde os vapores tóxicos se espalham com mais facilidade.
Saucedo afirma que, diante da pressão americana contra os macrolaboratórios, os grandes grupos estariam passando para estruturas menores, que escapam melhor das operações e causam menos prejuízo quando há apreensão. Depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar atacar laboratórios com mísseis, parte das "cozinhas" teria ido para áreas urbanas. Na avaliação do analista, a ideia seria ampliar o risco de morte de civis e, assim, o custo político e de imagem para os americanos.
O pesquisador José Andrés Sumano Rodríguez, do Colégio da Fronteira Norte, disse à DW que os traficantes dominaram a produção a partir do precursor químico P2P e deixaram de depender de remédios muito controlados no México, como a pseudoefedrina. Para ele, o método é mais barato e usa insumos menos regulados, mas a oferta de precursores vindos da Ásia e de cozinheiros especializados segue como o gargalo. Sumano também aponta queda nas mortes por overdose de fentanil nos EUA, o que não se vê com a metanfetamina.
Imagem: United States Federal Government / Wikimedia Commons (Public domain)
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