Lula e Flávio Bolsonaro usam boato sobre Nossa Senhora Aparecida na campanha
No feriado da padroeira, Lula exibe imagens religiosas e Flávio nega querer tirar o título da santa e compara o boato a uma facada. A CNBB diz que não participou.

- Lula prometeu proteger a santa e levou imagens religiosas a eventos da campanha.
- Flávio Bolsonaro nega a intenção atribuída a ele e acusa o PT de espalhar o boato.
- A CNBB afirma que não participou da divulgação de informações falsas sobre a eleição.
Lula (PT), presidente da República, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) incluíram na disputa presidencial a repercussão de um boato, tratado pelo Poder360 como notícia falsa, segundo o qual o senador pretenderia tirar da santa o título de padroeira do país. O tema está nos discursos e nas aparições dos dois adversários no feriado desta segunda-feira (12). Flávio nega a intenção que lhe foi atribuída.
Lula passou a dizer que defenderá a padroeira e a exibir imagens religiosas nos atos. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, exibida em 27 de setembro, disse ser inaceitável mexer com a santa e, ao ser lembrado pela jornalista Adriana Araújo de que a informação era falsa, respondeu: "Eu não sei se foi fake news". No dia seguinte, em Belém (PA), afirmou que, enquanto for presidente, ninguém vai "avacalhar" com Nossa Senhora Aparecida.
No sábado (10), em caminhada em Natal (RN), Lula ganhou um cartaz de Aparecida e uma escultura de Nossa Senhora das Graças, que exibiu na agenda. O senador também começou a exibir a imagem da santa depois do boato. Em 28 de setembro, no centro de São Paulo, levantou uma representação em crochê ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Naquela noite, em entrevista ao SantoFlow Podcast, o senador acusou o PT de ter espalhado o boato e o comparou ao atentado a faca de 2018 contra o pai, Jair Bolsonaro (PL), então candidato e hoje ex-presidente. "Eu acho que posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim", disse.
Em 27 de setembro, Flávio afirmou que o PT havia conseguido espalhar o boato com ajuda de pessoas de dentro da CNBB, mas não apresentou provas. A entidade disse em nota que não criou, não aprovou e não teve envolvimento em nenhuma divulgação de conteúdo falso ligado à eleição, e repudiou a desinformação.
Segundo o Poder360, as postagens associaram a um projeto antigo, o PL 2.623/2007, uma declaração de Flávio feita em agosto: a de que decretaria, entre os primeiros atos na Presidência, que o país é do Senhor Jesus Cristo. O texto, do então deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT), trocaria na lei do feriado a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" e foi arquivado em 2008. O veículo afirma que o candidato não anunciou intenção alguma sobre a santa, e a controvérsia chegou à Justiça Eleitoral.
Ilustração gerada por IA (FLUX-2-klein-9b-base)
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