Bolsa de sangue raro vai do Ceará a Minas na cabine de um avião comercial
Paciente transplantado de rim em Juiz de Fora (MG) precisa de sangue sem o marcador Jsb; o cadastro nacional apontou só seis doadores, um deles no Ceará.

- A bolsa deixou o aeroporto no Ceará às 18h de quinta (8) e deveria chegar a Confins às 5h de sexta (9).
- O cadastro nacional de doadores raros tem 2.032 pessoas; para este paciente, havia seis.
- O Ministério da Saúde formaliza com as aéreas o transporte de sangue na cabine, antes restrito a órgãos.
Uma bolsa de sangue doada no Ceará na quinta-feira (8) viajou de avião comercial, dentro da cabine e aos cuidados do piloto, para um paciente internado em Juiz de Fora (MG), segundo o g1. A bolsa saiu do aeroporto às 18h, e o pouso estava previsto para as 5h desta sexta (9) em Confins, perto de Belo Horizonte. Do aeroporto mineiro, ela vai por estrada até o hospital, e a transfusão deve ser feita ainda pela manhã.
O paciente fez um transplante de rim, está estável, mas tem a hemoglobina baixa. Ao testar o sangue dele para a transfusão, a equipe médica detectou um anticorpo que reagia contra as hemácias usadas nos exames. Novos testes mostraram que o organismo dele produz anticorpos contra o Jsb, um marcador que a maioria das pessoas tem na superfície dessas células.
Sem o Jsb, o paciente só pode receber sangue de quem também não o tem, e do tipo O, o mesmo dele. A incompatibilidade foi percebida porque os laboratórios combinam uma pequena quantidade do sangue do paciente com material do doador antes de liberar a bolsa; se as células formam grumos, ela não pode ser usada. A hematologista Fernanda de Oliveira Santos, ouvida pela reportagem, diz que a reação ao sangue incompatível pode ser grave mesmo quando demora a aparecer.
Quando bancos de sangue parceiros não têm a bolsa, a procura segue para o cadastro nacional de doadores raros, onde constam 2.032 pessoas. O Ministério da Saúde recebeu a solicitação na tarde de quarta (7), entre 16h e 17h, e a consulta apontou seis doadores em todo o Brasil. O do Ceará foi avisado às 22h e confirmou presença; segundo o g1, o que pesou foi estar apto a doar naquele dia, e não a distância.
De acordo com a reportagem, o Ministério da Saúde trabalha para oficializar esse transporte na cabine junto às empresas aéreas; até aqui, a prática se aplicava só a órgãos. O cadastro é montado com base em doações rotineiras: se o laboratório nota uma característica incomum no sangue do doador, pede que ele se inscreva.
Imagem: Makysm / Wikimedia Commons (CC0)
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