SBC: uma pessoa morre de doença cardiovascular a cada 72 segundos no país
Entidade projeta alta de 10,8% nas mortes anuais até 2030; taxa de mortalidade ajustada por idade caiu 36% em duas décadas.

- Sociedade Brasileira de Cardiologia registra um óbito por problema cardiovascular a cada 72 segundos, com 334.898 mortes só em 2026 até 8 de outubro.
- Entidade projeta crescimento de 10,8% nas mortes anuais até 2030, partindo de 417.550 óbitos em 2024 rumo a 462.573.
- Mortalidade ajustada por idade recuou 36% em duas décadas, mas especialistas dizem que a prevenção de fatores de risco continua insuficiente.
Uma pessoa morre em decorrência de problemas cardiovasculares a cada 72 segundos no Brasil, segundo levantamento que a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) tornou público na quinta-feira (8). Isso equivale a cerca de 1.194 óbitos por dia. Os números foram apresentados no 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro, realizado junto com o Congresso Mundial de Cardiologia.
De acordo com a entidade, o país já somava 334.898 mortes dessa natureza apenas em 2026, até a manhã de quinta-feira. Se o ritmo das duas últimas décadas se repetir, o total anual de óbitos pode crescer 10,8% até o fim desta década, saltando de um patamar de 417.550 registros em 2024 para uma projeção de 462.573 em 2030.
Ainda assim, a entidade registra um avanço: nos últimos vinte anos, a taxa de mortalidade por essas doenças, ajustada pela idade da população, recuou 36%. Médico vinculado ao Instituto do Coração de São Paulo, Luiz Aparecido Bortolotto credita boa parte dessa melhora a diagnósticos e atendimentos mais rápidos de infarto e derrame nas unidades de pronto atendimento.
Bortolotto pondera, porém, que agilizar o atendimento de urgência não resolve a raiz do problema: hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade e estresse continuam sendo controlados de forma insuficiente pela população.
Já Antonio Luiz Pinho Ribeiro, responsável pela nova plataforma de dados da SBC, afirma que a projeção de alta até 2030 é um cenário possível, não um número fechado. Segundo ele, o resultado final pode mudar conforme a evolução dos hábitos de risco da população, o acesso a diagnóstico e tratamento, e as políticas de prevenção adotadas nos próximos anos.
Imagem: Andréatl / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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