Processos por violência política de gênero no TSE saltam de 15 para 177 entre 2022 e 2026
Levantamento de ONGs aponta 134 casos na campanha até o 1º turno, 52,2% contra mulheres; Disque 180 recebeu 1.564 denúncias de janeiro a agosto.
O texto menciona ameaças de morte e de violência sexual.

- Os processos por violência política de gênero no TSE foram de 15 para 177 entre 2022 e 2026.
- Terra de Direitos e Justiça Global contaram 134 casos na campanha até o 1º turno, 52,2% contra mulheres.
- O Disque 180 recebeu 1.564 denúncias de violência política contra mulheres de janeiro a agosto.
Organizações sociais e fontes do governo registram aumento das agressões políticas de gênero em outubro, mês em que se marca a data nacional de luta pelo fim da violência contra a mulher, neste sábado (10). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra 177 processos desse tipo em 2026, contra 15 em 2022, um aumento de 11 vezes, segundo a Agência Brasil.
Um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global contou 134 ocorrências de violência política na campanha que antecedeu o primeiro turno, no domingo (4), o equivalente a uma a cada nove horas. Em 70 deles (52,2%) as vítimas eram mulheres. Entre os 102 episódios dirigidos a pessoas candidatas, 60 (58,8%) tiveram mulheres como alvo, embora elas sejam cerca de um terço das candidaturas.
O Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher, somou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres de janeiro a agosto deste ano. As principais vítimas são as pretas e pardas, com 842 casos (mais de 53%), seguidas pelas brancas, com 590 (37,72%). Mulheres de outras raças respondem por 132 denúncias (8,44%).
No fim de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE um documento com denúncias de agressões contra candidatas em 2026. Os casos incluem violência física e verbal, ameaças de morte e de estupro.
Um exemplo recente é o da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, que denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e de violência sexual feitas durante a campanha. Segundo ela, as mensagens trazem ataques machistas e racistas, e dados pessoais como endereço, telefone e documentos foram expostos. Diante disso, a legenda contratou seguranças armados para acompanhá-la.
Ana Elisa teve 524.219 votos e foi a segunda mais votada de Minas Gerais para a Câmara, atrás de Nikolas Ferreira (PL). Ela é a mulher mais votada da história do estado para o cargo e a deputada federal mais jovem já eleita no país.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
E você, o que achou?
0 reaçõesSua reação é secreta: ninguém vê quem reagiu, só os totais.
Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
- Público ou oficial 1
Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.
