FIFPRO: 57% das jogadoras relatam problemas de saúde mental, e metade não teve apoio
Relatório com 800 atletas diz que 49% pensam em largar o futebol antes do previsto. A entidade defende assistência psicológica obrigatória nos clubes.
O relatório não especifica os transtornos ou sintomas citados pelas jogadoras.

- 57% das 800 jogadoras ouvidas pela FIFPRO relataram problemas de saúde mental.
- Metade das que relataram o problema disse não ter recebido apoio psicológico dos clubes.
- A FIFPRO defende que a assistência psicológica seja obrigatória no futebol feminino.
A Federação Internacional de Associações de Jogadores Profissionais (FIFPRO) divulgou nesta segunda-feira (12) um relatório sobre as condições de trabalho no futebol feminino. O levantamento ouviu 800 atletas de diferentes países e mostrou que 57% já enfrentaram problemas de saúde mental. Entre as que relataram essas dificuldades, metade disse não ter recebido apoio psicológico dos clubes.
O documento, chamado Working Conditions in Women's Football, é apresentado pela entidade como o estudo mais amplo do tema em dez anos. Segundo a pesquisa, 49% das jogadoras pensam em deixar o futebol antes do planejado. Entre elas, 59% citam dificuldades financeiras e 46% apontam o estresse psicológico.
Outros números do relatório: 56% das atletas têm contrato de trabalho, 13% recebem benefícios previdenciários dos clubes e 47% afirmam que suas equipes não têm profissionais suficientes para atendê-las. A remuneração média mensal está em US$ 2.601, cerca de três vezes a de 2017 já corrigida pela inflação, mas a mediana é de US$ 1.669, o que indica distribuição desigual. Nos dez países do Leste Europeu incluídos no estudo, o pagamento médio é menor que o salário mínimo de cada país.
Alex Culvin, diretora de futebol feminino da FIFPRO, afirma que muitas atletas precisam cumprir exigências profissionais sem a estrutura necessária. Segundo ela, as condições melhoraram de forma significativa para um grupo restrito, de cerca de 5% das jogadoras. A maioria segue com dificuldades em remuneração, estabilidade e suporte dos clubes.
A FIFPRO defende que o apoio psicológico passe a ser exigência nos clubes de futebol feminino. Como modelo, a entidade cita a NWSL, liga profissional dos Estados Unidos, que mantém profissionais de saúde mental junto às equipes e garante às jogadoras licença de até seis meses por questões psicológicas. Segundo o g1, o documento não especifica os tipos de transtorno relatados.
Imagem: Futsalfemenino / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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