Expedição vai estudar possível geóglifo achado no Google Earth em Mendoza
Linhas de pedra a mais de 3 mil metros de altitude foram vistas por um montanhista em 2025; pesquisadores sobem ao local em dezembro.
A identificação do conjunto como geóglifo ainda não foi confirmada.

- A estrutura está na Cordilheira do Tigre, em Mendoza, acima de 3 mil metros.
- O montanhista Carlos Gobbi viu o desenho em imagens do Google Earth em maio de 2025.
- A hipótese principal liga as pedras à civilização Inca, nos séculos XV e XVI.
Uma equipe de pesquisadores da Argentina e da Espanha vai estudar em dezembro uma estrutura de pedras na Cordilheira do Tigre, em Mendoza, a mais de 3 mil metros de altitude. O objetivo é verificar se o conjunto é um geóglifo, nome dado a grandes figuras desenhadas ou montadas em planícies, sobretudo por povos antigos.
O caso começou em maio de 2025, quando o montanhista Carlos Gobbi navegava por imagens de satélite do Google Earth e notou o desenho. Ele levou a informação a pesquisadores e tentou alcançar o ponto em setembro e em novembro daquele ano, sem conseguir, por causa das condições do terreno e do clima nos Andes.
Gobbi só chegou ao local em fevereiro de 2026, depois de quatro dias de caminhada sem sinal de telefone e com pouca água. Encontrou linhas de pedra formando corredores de 30 metros ou mais, com montes de rochas empilhadas, e fotografou o conjunto.
As fotos não permitiram aos cientistas estabelecer data ou finalidade da construção, o que motivou a nova subida. A expedição terá à frente a pesquisadora Cristina Prieto-Olavarría, ligada ao Instituto Argentino de Nivología, Glaciología y Ciencias Ambientales. Também assina a pesquisa Horacio Chiavazza, do laboratório de arqueologia histórica e de etno-história da Universidade Nacional de Cuyo (UNCuyo); os dois integram o projeto Arqueoandes.
Em entrevista ao jornal La Nación, os pesquisadores disseram não haver registro anterior sobre a estrutura, que pode ser inédita para a arqueologia. A hipótese principal a associa à civilização Inca, nos séculos XV e XVI.
Pela posição isolada e pela escassez de água, a equipe trabalha com a ideia de acampamento temporário ou de uso sazonal, leitura reforçada pela ausência de outros vestígios, como cerâmica. O estudo prevê análise de terreno, voo de drone, exames geoquímicos e levantamentos no local. As análises microscópicas ficam com pesquisadores do Instituto Universitário de Pesquisa em Arqueologia Ibérica, na Universidade de Jaén, na Espanha.
Imagem: Carogiosa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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