Chefe da Embrapa defende diplomacia científica para vencer barreiras do agro no exterior
Mariana Pereira, da Embrapa Gado de Corte, diz que o desconhecimento da pesquisa tropical brasileira cria entraves que surgem antes mesmo das tarifas.

- Mariana Pereira, da Embrapa Gado de Corte, vê peso eurocêntrico e norte-americano nos parâmetros internacionais do agro.
- Para ela, o desconhecimento da pesquisa brasileira cria barreiras anteriores às tarifas.
- O SNPA, criado em 1992, reúne instituições públicas e privadas de pesquisa agropecuária.
Mariana Pereira, que comanda a Embrapa Gado de Corte e integra o conselho da Organização Mundial dos Agricultores (WFO), defende que o Brasil invista em diplomacia científica para lidar com os obstáculos que o agronegócio enfrenta no exterior. A avaliação foi publicada pela CNN Brasil nesta sexta-feira (9) e parte de anos de pesquisa da especialista.
Segundo ela, ainda predomina uma visão centrada na Europa e nos Estados Unidos quando se definem os parâmetros científicos e produtivos usados no mundo. Pereira afirma que os europeus têm uma "visão muito errada" sobre a produção brasileira, país que, na opinião dela, é a maior referência mundial em ciência tropical.
A pesquisadora aponta que o desconhecimento sobre as tecnologias e as práticas desenvolvidas no país ajuda a criar obstáculos que aparecem antes das tarifas e das restrições comerciais. Entre os desafios, ela cita a dificuldade de firmar a pesquisa brasileira como base para comparar sistemas de produção de diferentes partes do planeta.
A saída proposta é comunicar melhor ao exterior o que as instituições de pesquisa produzem e o que é aplicado nas propriedades rurais. A diplomacia científica usa a ciência e a cooperação entre países para aproximar nações, gerar confiança e influenciar decisões globais, por meio de fóruns, intercâmbio de conhecimento e evidências que embasem políticas e acordos comerciais.
No agro, o argumento ganha peso pelas diferenças entre os sistemas das regiões tropicais e das temperadas. Indicadores de produtividade e de sustentabilidade, o uso do solo e as tecnologias criadas para o clima tropical podem ajudar a fazer valer as particularidades da agricultura brasileira nos padrões internacionais.
Uma das bases dessa ciência é o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), criado em 1992. Participam dele a Embrapa, órgãos estaduais de pesquisa, universidades e institutos de ensino federais e estaduais, além de entidades privadas do setor, com a meta de tocar projetos conjuntos e trocar informações científicas.
Imagem: Roosewelt Pinheiro/Abr / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)
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