Samuel Pessôa avalia que desafio de Flávio é governar como 'direita normal'
Em entrevista à BBC, pesquisador do Ibre/FGP e do BTG diz que o candidato do PL tem vantagem na coalizão com o Congresso, mas há duas incógnitas na frente dele.
- Samuel Pessôa diz que o desafio de Flávio é administrar o presidencialismo de coalizão sem dissintonia com o Congresso.
- O economista aponta como incógnitas a gestão do governo e o capital político gasto na libertação de Jair Bolsonaro.
- Ele estimou em R$ 420 bilhões o gasto adicional no quadriênio com valorização do salário mínimo e reindexação dos pisos.
O economista Samuel Pessôa, pesquisador associado do Ibre/FGP e do BTG Pactual, avaliou que o principal desafio de Flávio Bolsonaro, caso seja eleito, seria conduzir um governo de direita dentro das regras do presidencialismo de coalizão brasileiro. A conversa com a BBC News Brasil aconteceu em duas rodadas: na quinta-feira (1º), diante da disputa, e nesta terça (6), com o candidato do PL já à frente da apuração.
Na leitura dele, um governo de direita normal geriria a coalizão segundo o que a ciência política descreve no livro-texto, com programa comum e poder repartido entre os partidos aliados. Pessôa afirmou que Flávio teria vantagens nesse ponto por dividir a orientação com a bancada média do Legislativo. As dúvidas que restam, segundo o pesquisador, são duas: se o candidato de fato fará essa condução e quanto do capital político acumulado na campanha seria gasto com a libertação do pai.
Sobre o mercado financeiro, Pessôa disse que a reação ao resultado foi positiva porque a avaliação é que um governo Flávio teria disposição para acelerar o equilíbrio das contas, origem dos juros extremamente altos que o país carrega. Ele também opinou que uma vitória de Lula faria a situação piorar no mercado e levaria o presidente — a quem chamou de pragmático — a montar um plano de ajuste, ainda que suave.
O economista estimou, em conta feita com um colega, um gasto adicional da ordem de R$ 420 bilhões no quadriênio, decorrente da volta da valorização do salário mínimo e da reindexação dos pisos. Ele defendeu mudanças na forma de escolher os ministros do Supremo Tribunal Federal e classificou os juros altos como estruturais. Sobre se a vitória eleitoral seria praticamente irreversível, preferiu não se pronunciar, argumentando que não é cientista político.
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Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 1 posição. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
- Internacional 1
Nenhum destes veículos tem linha editorial documentada pela redação ainda.