OMS celebra aval da Anvisa a teste da vacina de mRNA feita pela Fiocruz
Estudo de Fase I vai acompanhar 90 adultos saudáveis; é a primeira vacina de mRNA desenvolvida na América Latina a chegar à etapa clínica.

- A Anvisa autorizou os ensaios de Fase I da vacina de mRNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz.
- O estudo prevê 90 adultos saudáveis e vai avaliar segurança e resposta imunológica.
- É o primeiro produto do programa de transferência de tecnologia da OMS a chegar à fase clínica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu destaque ao aval da Anvisa para que comece a Fase I dos testes clínicos do imunizante contra a covid-19 criado por Bio-Manguinhos/Fiocruz. O produto nasceu de uma plataforma de RNA mensageiro (mRNA) montada dentro da própria instituição brasileira.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, que dirige a entidade, usou as redes sociais para cumprimentar a fundação pelo resultado e tratou a liberação como um marco. Para ele, a conquista "reflete a excelência científica do Brasil" e a crescente liderança do país em inovação na área da saúde, conforme reportagem da Sputnik Brasil publicada pela Tribuna do Sertão.
Pelo relato do dirigente, nenhuma outra parceira do programa da OMS de transferência de tecnologia de mRNA havia levado um produto da plataforma até a etapa de testes em pessoas. Ele acrescentou que a entidade seguirá trabalhando com o Brasil e outros parceiros para reforçar a produção local e regional e ampliar o acesso a vacinas de forma equitativa.
Os ensaios vão medir segurança e resposta do sistema imunológico em adultos saudáveis, com 90 participantes previstos e acompanhamento depois da aplicação. A tecnologia usa o mRNA para orientar as células a fabricar, por tempo limitado, a proteína Spike do SARS-CoV-2, o que estimula a defesa do organismo.
O desenvolvimento integra iniciativa que tem entre os parceiros a Opas, braço da OMS nas Américas, e o fundo de patentes Medicines Patent Pool (MPP), voltada a instalar capacidade de produção em países de renda baixa e média. A mesma plataforma pode servir a pesquisas brasileiras já em curso contra dengue, malária, câncer e a doença de Chagas, além de uma eventual versão da terapia CAR-T.
Imagem: FIOCRUZ / Wikimedia Commons (Public domain)
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