Estudo liga Covid longa a alterações no sistema de dopamina do cérebro
Exames de PET em 24 adultos mostraram queda de até 20% em um marcador de neurônios dopaminérgicos; os autores ressalvam que o achado é uma associação, não prova de causa.
O estudo é pequeno e mostra associação, não relação de causa e efeito.

- Pessoas com Covid longa tiveram queda de até 20% em um marcador de terminações que liberam dopamina.
- O estudo comparou 24 adultos com Covid longa a 24 pessoas saudáveis, usando exames de PET.
- Os autores ressalvam que o resultado é uma associação e não prova que a dopamina cause os sintomas.
Um estudo de neuroimagem publicado na revista científica eBioMedicine identificou, em pacientes de Covid longa com sintomas neuropsiquiátricos, queda de até 20% em um marcador ligado à integridade das terminações nervosas que liberam dopamina. Os pesquisadores relacionam o achado a sintomas como apatia, lentidão dos movimentos e dificuldade de memória, segundo reportagem do g1.
A pesquisa comparou exames cerebrais de 24 adultos com Covid longa e de 24 pessoas saudáveis de idade semelhante, com média um pouco acima de 30 anos. Para medir isso, a equipe fez exames de PET (tomografia por emissão de pósitrons) com uma substância radioativa que acompanha a ligação ao transportador vesicular de monoaminas 2, o VMAT2. De acordo com o estudo, cerca de 95% dessa ligação no estriado ocorre em neurônios que liberam dopamina, o que torna a medida um indicador da integridade dessas terminações.
A redução do marcador apareceu nas três regiões do estriado analisadas. No estriado ventral, ligado à motivação, a queda foi de aproximadamente 20% e veio com mais apatia. No putâmen dorsal, associado ao controle dos movimentos, foi de cerca de 16%, com lentidão motora, e no caudado dorsal, envolvido na memória, de cerca de 17%, com pior resultado em teste de memória verbal.
Jeffrey Meyer, um dos autores, disse ao g1 que a principal conclusão é a identificação de níveis reduzidos do marcador e a relação deles com sintomas importantes. Segundo ele, a perda de motivação, que algumas pessoas podem viver como fadiga extrema, a lentidão dos movimentos e o atraso na memória verbal se correlacionaram com regiões específicas.
Os resultados levantam uma hipótese para explicar parte dos sintomas neurológicos da doença, mas o estudo mostra uma associação. Ele não permite afirmar que a alteração na dopamina cause os sintomas nem que tenha havido morte de neurônios. O psiquiatra e neurocientista Rodrigo Bressan, da Unifesp, disse ao g1 que há um sinal de possível comprometimento dopaminérgico, "cuja natureza ainda precisa ser esclarecida".
Imagem: Article by Susanne Brummelte, Thorsten Grund, Andrea Czok, Gertraud Teuchert-Noodt, Jorg Neddens / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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