Arcebispo de Aparecida pede que festa da padroeira não alimente divisões políticas
Dom Mário Antônio da Silva comanda pela primeira vez o 12 de Outubro no Santuário Nacional e diz que a data deve reforçar a fé e a esperança, não a disputa eleitoral.

- Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida desde maio, comanda pela primeira vez a festa de 12 de outubro.
- Ele pediu que ninguém vá ao santuário para alimentar divisões e animosidades eleitorais.
- Uma notícia falsa sobre o título de padroeira do Brasil circulou no primeiro turno da eleição presidencial.
O arcebispo de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, de 59 anos, pediu que as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, nesta segunda-feira (12), sejam marcadas pela fé e pela esperança, e não por disputas eleitorais. A posição aparece em entrevista à Folha de S.Paulo publicada neste domingo (11), segundo o Poder360. A festa acontece no Santuário Nacional, na cidade paulista.
Empossado em maio no cargo, dom Mário vai conduzir pela primeira vez as celebrações de 12 de outubro. Ele disse esperar que os fiéis cheguem ao local para renovar a fé e a esperança, e não para estimular rivalidades, e que a data ajude a construir um país mais fraterno, justo e solidário.
A imagem da santa já entrou na disputa presidencial deste ano. No primeiro turno, circulou a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro (PL) pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, informa o Poder360. Perguntado se a política vai influenciar a festa, o arcebispo respondeu que a celebração coincide com eleições presidenciais a cada quatro anos, mas que isso não deve desviar a atenção do essencial.
Segundo dom Mário, o Santuário Nacional deve receber todos como peregrinos, respeitando as diferenças entre eles. Para o arcebispo, os fiéis precisam ir ao local movidos pela fé, pela oração e pela fraternidade, sem divisão nem disputa política.
Ele também convidou os católicos a aproveitarem a data para se aproximar de quem pensa diferente, sem hostilidade nem preconceito. O arcebispo pediu ainda que se evitem ofensas e discursos de ódio no ambiente doméstico, nas comunidades religiosas e na internet, com espaço para o diálogo e o respeito.
Na avaliação de dom Mário, ser unido na fé cristã não significa pensar da mesma forma, e sim reconhecer a dignidade do outro. A entrevista foi dada às vésperas da data em que o santuário costuma receber peregrinos de todo o país.
Imagem: Ednei Fialho Lopes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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