Estudo dos EUA liga parar de fumar a risco 16% menor de demência
Pesquisa acompanhou mais de 32 mil adultos por até 25 anos. O risco se aproxima ao de quem nunca fumou após cerca de sete anos sem cigarro, mas o estudo é observacional.
O estudo é observacional e não prova que parar de fumar cause a redução do risco.

- Ex-fumantes tiveram risco 16% menor de demência que quem seguiu fumando, em estudo com mais de 32 mil adultos.
- O risco se aproxima ao de quem nunca fumou após cerca de sete anos sem cigarro.
- O estudo é observacional e não prova que parar de fumar cause a redução do risco.
Um estudo norte-americano indica que largar o cigarro está associado a um risco menor de demência. A pesquisa, publicada em maio na revista Neurology e retomada nesta segunda-feira (12) pelo Poder360, seguiu mais de 32 mil adultos americanos durante até 25 anos. Quem parou de fumar teve risco 16% menor de demência do que quem manteve o hábito.
No período, foram contabilizados 5.868 casos de demência. Os participantes eram reclassificados de dois em dois anos como fumantes, ex-fumantes ou pessoas que nunca fumaram. Parar de fumar também esteve ligado a uma perda de capacidade cognitiva mais lenta com o tempo.
Os dados mostram que o risco cai de forma gradual com os anos sem cigarro e chega perto do de quem nunca fumou depois de cerca de sete anos de abstinência. Os benefícios apareceram principalmente entre ex-fumantes que ganharam pouco ou nenhum peso. Quem engordou mais de 10 kg nos dois anos seguintes à interrupção não teve a mesma redução de risco.
A neurologista Jerusa Smid, do Einstein Hospital Israelita, afirma que fumar eleva em torno de 30% a 40% a chance de Alzheimer e de demência vascular, as formas mais comuns da doença no Brasil e no mundo. De acordo com ela, o cigarro lesiona os vasos sanguíneos e prejudica seu funcionamento, o que eleva o risco de AVC, e o AVC pode levar à demência. Ela cita ainda o estresse oxidativo, que enfraquece mecanismos naturais de proteção do cérebro.
Smid diz que os dados anteriores sobre a redução de risco após largar o cigarro eram inconsistentes e que este estudo traz uma informação mais robusta. Por ser observacional, porém, ele não permite afirmar uma relação direta de causa e efeito nem explicar com precisão os mecanismos envolvidos.
Em 2024, uma comissão publicada na revista The Lancet apontou 14 fatores modificáveis ligados ao risco de demência, entre eles tabagismo, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e consumo excessivo de álcool. Pela estimativa da publicação, cerca de 45% dos casos mundiais poderiam ser evitados ou retardados se esses fatores fossem controlados durante a vida.
Imagem: Santeri Viinamäki / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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