Passageiros relatam mais enjoo em carros elétricos, mas estudos ainda são iniciais
Médicos e pesquisadores ouvidos pela BBC dizem haver indícios de cinetose mais forte em alguns passageiros; especialista vê estudos ainda superficiais.
As pesquisas sobre o tema ainda são iniciais e boa parte dos relatos é anedótica.

- Passageiros no Reino Unido relatam mais enjoo de movimento em carros elétricos.
- Uma pesquisadora do King's College London diz que estudos sugerem cinetose mais severa para algumas pessoas.
- Outro pesquisador afirma que as pesquisas são superficiais e que muitos donos de elétricos não relatam o problema.
A BBC News Brasil publicou em 12 de outubro uma reportagem sobre passageiros que dizem sentir mais enjoo de movimento, a cinetose, em carros elétricos do que em veículos a combustão. Uma jovem de 24 anos, na Inglaterra, contou que nunca tivera o problema até o namorado comprar um elétrico, há dois anos. Desde então ela passa mal em viagens longas e chegou a pedir que ele trocasse de carro.
Para Irene Di Giulio, professora sênior de anatomia e biomecânica no King's College London, os estudos feitos até agora sugerem que algumas pessoas têm cinetose mais severa em elétricos do que em outros veículos. O neurologista Nicholas Hac, da Northwestern Medicine, em Chicago, especializado em tontura e vertigem, afirma que ouve isso com frequência. Ele diz que cerca de dois pacientes por mês citam especificamente o enjoo em elétricos.
A investigação sobre uma possível ligação, porém, ainda está no começo, e alguns acadêmicos veem falta de provas para uma conclusão definitiva. Bill Yates, que estudou enjoo de movimento na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, descreve o conjunto de pesquisas como "bastante superficial". De acordo com ele, existem informações anedóticas, mas poucos estudos sérios e abrangentes.
Um pai de 45 anos, de Lincolnshire, na Inglaterra, relatou à BBC que escolheu um elétrico no ano anterior pelos custos menores de manutenção. Ele diz que dirigir o carro tem sido ótimo, mas que o enjoo da filha, de nove anos, piorou. Antes o problema aparecia sobretudo nas viagens longas até a França nas férias escolares, e agora ocorre até em um trajeto de 30 minutos.
Os relatos não são unânimes. De acordo com a reportagem, muitos donos de elétricos disseram que eles e seus familiares não enjoam, e alguns afirmaram passar menos mal do que em carros a combustão. Vicky Edmonds, CEO da EVA England, associação de condutores de elétricos, diz que o enjoo não preocupa seus membros. A fabricante chinesa XPeng, com concessionárias no Reino Unido, já tratou do assunto em público e disse que o questionamento é pertinente e que a impressão não é imaginação.
Imagem: Tom Page from London, UK / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
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Como cada veículo contou
O mesmo fato visto de 2 posições. As manchetes abaixo são as originais; a apuração é de cada veículo.
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