Analista da CNN diz que El Niño reduz furacões no Atlântico e esquenta o Pacífico
Segundo Pedro Côrtes, projeções indicam anomalia de até 3,7°C no Pacífico Equatorial a partir de outubro, sem registro parecido desde os anos 1950.
A análise é de um comentarista da CNN Brasil e as projeções de temperatura ainda são estimativas.

- Pedro Côrtes, da CNN, afirma que o El Niño reduz a frequência e a intensidade dos furacões no Atlântico.
- No Pacífico, mais quente, a tendência é de mais tufões e furacões, segundo o analista.
- As projeções indicam que a temperatura do Pacífico Equatorial pode chegar a 3,7°C acima do normal a partir de outubro.
O El Niño tende a diminuir a atividade de furacões no Oceano Atlântico e a ampliar a de ciclones tropicais no Pacífico, segundo Pedro Côrtes, analista de clima da emissora. A avaliação foi dada em participação no CNN Novo Dia, ao comentar eventos climáticos recentes nos Estados Unidos e no México.
Côrtes citou como exemplos um ciclone intenso que atingiu território americano, com quatro mortes, destruição e cidades sem luz, e um furacão registrado na costa do Pacífico mexicano. De acordo com ele, o ciclone dos Estados Unidos nem chegou a ser classificado como furacão.
O analista explicou que o fenômeno muda o regime dos ventos equatoriais, o que impede a formação, no Atlântico, das condições ideais para ciclones tropicais fortes. No Pacífico, onde as águas estão mais quentes, cresce a tendência de surgirem tufões e furacões. Ele comparou a dinâmica a uma balança: quando a atividade cai de um lado, sobe do outro.
Côrtes também chamou atenção para a dimensão do El Niño atual. O evento é considerado forte quando a temperatura média do Pacífico Equatorial fica mais de 2°C acima do normal, e as projeções apontam que ela pode chegar a 3,7°C a partir de outubro. Para o analista, trata-se de um aquecimento sem equivalente há mais de 60 anos, já que as medições sistemáticas começaram na década de 1950.
Ele disse ter chegado a falar em "super super El Niño", mas reconheceu que o termo não é oficial. Registros paleoclimáticos, segundo a CNN Brasil, indicam que o episódio atual está entre os mais intensos da história.
O analista ponderou que a menor atividade no Atlântico não elimina o risco de um evento sério ou intenso. Ainda assim, afirmou que esse não é o cenário que as autoridades norte-americanas têm no radar.
Imagem: Stub maker 2000 / Wikimedia Commons (CC0)
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