Câncer de bexiga que atinge o músculo exige quimioterapia e cirurgia, dizem diretrizes
Leandro de Souza, apontado como o homem mais tatuado do Brasil, foi diagnosticado; o Inca projeta 13.110 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028.
As informações sobre o estado de saúde de Leandro de Souza vêm de relato dele próprio.

- O tumor de Leandro de Souza atingiu o músculo da bexiga, e a tomografia não achou disseminação, segundo ele.
- O Inca projeta 13.110 novos casos de câncer de bexiga por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
- As diretrizes brasileiras de 2026 indicam quimioterapia seguida de retirada da bexiga quando o músculo é atingido.
Leandro de Souza, conhecido como o homem mais tatuado do Brasil, foi diagnosticado com câncer de bexiga invasivo, segundo o g1. A biópsia indicou que o tumor alcançou a camada muscular. Ele contou que a tomografia não mostrou a doença se espalhando e que fará entre quatro e seis ciclos de quimioterapia antes da operação, prevista para 2027.
O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, explica que o tipo mais comum nasce nas células de revestimento interno da bexiga, chamadas uroteliais. Com o tempo, a doença pode chegar à parede muscular, aos gânglios linfáticos e a outras regiões. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, o sintoma mais comum é ver sangue na urina, geralmente sem dor e de modo intermitente.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) projeta 13.110 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026-2028: 9.040 entre homens e 4.070 entre mulheres. A doença provocou 5.483 mortes no país em 2024. Nos Estados Unidos, cerca de metade dos tumores é encontrada na camada mais interna da bexiga.
O tabagismo multiplica o risco por pelo menos três e é associado a mais de 50% dos diagnósticos no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia. Trabalhar exposto a corantes e a aminas aromáticas, comuns em setores como tintas, borracha, couro, têxtil e gráfico, também é fator de risco estabelecido. A Sociedade Americana de Câncer aponta que 90% dos pacientes têm mais de 55 anos.
Stefani diz que a tinta de tatuagem não costuma entrar nessa discussão e que precisaria revisar a literatura antes de apontar relação. Boa parte das pesquisas sobre pigmentos de tatuagem e câncer parte de estimativas teóricas e de relatos de caso, e nenhuma ligou o tema à bexiga. Segundo o biomédico que viu o tumor de Leandro, o médico consultado descartou ligação com a remoção das tatuagens.
Quando o tumor está restrito à superfície, o urologista pode retirá-lo por dentro, por um instrumento introduzido pela uretra, às vezes com BCG aplicado dentro do órgão, bacilo que também compõe a vacina contra tuberculose. Quando o músculo já foi atingido, as diretrizes brasileiras de 2026 recomendam a cistectomia radical, ou seja, a retirada da bexiga, com quimioterapia antes para quem a tolera.
Imagem: National Human Genome Research Institute (NHGRI) from Bethesda, MD, USA / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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