Agro leva ao próximo governo cinco propostas, de crédito a abertura de mercados
Lista da Abag inclui fundo para catástrofes climáticas e revisão de licenciamento; só 3% da produção agropecuária tem seguro, aponta pesquisador do Insper.

- A Abag apresentou cinco propostas de políticas públicas para o agronegócio ao próximo presidente.
- Uma delas prevê marco plurianual de financiamento e um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas.
- Apenas 3% da produção agropecuária do país tem cobertura de seguro, segundo o Insper Agro Global.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) reuniu cinco propostas de políticas públicas que o setor quer ver encampadas pelo próximo presidente da República. Os pontos tratam de financiamento e seguro rural, produção de insumos no país, infraestrutura, comunicação sobre o setor e acesso a mercados no exterior. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que os gargalos existem, mas têm tamanhos diferentes e dependem de medidas que passam de um mandato de quatro anos.
Na primeira proposta, a entidade defende um marco plurianual que amplie os recursos para o setor e crie um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas. A segunda pede política industrial para as cadeias consideradas estratégicas, com estímulo à fabricação de insumos no país e aprovação mais rápida de novas tecnologias. A terceira trata de planejamento e financiamento de infraestrutura, com licenciamento e autorizações mais padronizados.
As outras duas propostas são de natureza diferente. Uma prevê ações permanentes de comunicação e educação para mostrar ao público a contribuição do setor em segurança alimentar, sustentabilidade e inovação. A outra mira o comércio externo, com resposta coordenada entre governo, centros de pesquisa e produtores às barreiras tarifárias e às exigências que travam exportações.
No crédito, o problema apontado é o preço. Felippe Serigati, que pesquisa o tema na FGV Agro, atribui os juros elevados ao endividamento dos produtores e ao avanço dos pedidos de recuperação judicial, o que tornou os bancos mais criteriosos na liberação de dinheiro. Para ele, a correção depende dos dois lados: os credores precisam de tempo para reorganizar as carteiras de crédito rural, e os tomadores, de contas em ordem que mostrem a real capacidade de pagamento.
Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, liga a inadimplência aos prejuízos somados em safras seguidas, resultado de clima, juros e custo de produção. Ele afirma que o efeito se espalha e atinge o investimento feito antes do plantio, o que exigiria ação mais firme do governo. Segundo o pesquisador, apenas 3% da produção agropecuária brasileira conta hoje com seguro.
Imagem: Deyvid Aleksandr Raffo Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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- Tradicional 1
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