Trump cobra a Noruega por não ter recebido o Nobel da Paz e diz que 'não vamos esquecer'
Em comício em Nova York, presidente diz merecer oito prêmios; o de 2026 foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, e os EUA anunciaram novas sanções ao TPI.
A afirmação de Trump de que encerrou oito guerras é contestada por especialistas, segundo o g1.

- Trump disse em comício que os EUA mereciam oito Nobel da Paz, um por guerra que afirma ter encerrado.
- O prêmio de 2026 foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, ligada à justiça internacional.
- O governo americano anunciou novas sanções ao Tribunal Penal Internacional horas depois do anúncio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a Noruega nesta sexta-feira (9) porque o Nobel da Paz não foi concedido a ele. Em comício em Syracuse, no estado de Nova York, afirmou que os americanos mereciam oito prêmios: um por conflito que, segundo ele, foi encerrado durante o seu governo.
Trump diz ter posto fim a oito guerras, afirmação que, de acordo com o g1, é contestada por especialistas e lideranças internacionais. O presidente defende desde o ano passado que merece o prêmio. No discurso, avisou: "Não vamos esquecer, Noruega".
Ele disse ainda que a decisão mostra como a Noruega e outros países estariam prejudicando os Estados Unidos. Também afirmou que o Nobel perdeu credibilidade por causa de pessoas que descreveu como "ideólogos radicais", contrárias à democracia. O g1 observa que os integrantes do comitê que escolhe o vencedor não têm vínculo com o governo norueguês.
O Nobel da Paz de 2026 foi para a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, por sua atuação em favor da justiça internacional e do respeito às leis. Segundo o g1, ela atuou no julgamento do genocídio em Ruanda, comandou a área de direitos humanos da ONU e presidiu a comissão, contratada pela entidade, cujo relatório apontou a prática de genocídio por Israel em Gaza.
Jørgen Watne Frydnes, que comanda o comitê norueguês responsável pelo prêmio, declarou que a escolha é "uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional". O g1 afirma que a frase foi interpretada como recado a Trump, que tem atacado organismos multilaterais, entre eles o Tribunal Penal Internacional (TPI), de que Pillay fez parte nos anos 2000.
Poucas horas depois do anúncio, o governo americano informou novas sanções contra o TPI. Pillay disse ter se surpreendido com o prêmio e, em tom de ironia, brincou sobre dividi-lo com Trump.
Imagem: https://www.facebook.com/DonaldTrump/photos/a.488852220724.393301.153080620724/10159419638630725/?type=3&theater / Wikimedia Commons (Public domain)
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