Suíço que se autoproclamou rei reivindica 149 terrenos sem dono e levanta debate legal
Jonas Lauwiner reúne cerca de 117 mil metros quadrados no país; jurista diz que o caso é incomum, mas não ilegal, e aponta falta de regras nos cantões.

- Jonas Lauwiner reivindicou 149 terrenos sem dono na Suíça, com cerca de 117 mil metros quadrados.
- O procedimento é um pedido de ocupação ao município e o pagamento de taxas de registro e tramitação.
- Um jurista diz que o caso é incomum, mas não ilegal, e que os cantões não são obrigados a regular o tema.
Jonas Lauwiner, que se autoproclamou rei da Suíça em 2019 e se intitula Jonas I, reuniu 149 terrenos espalhados pelo país, num total aproximado de 117 mil metros quadrados. Segundo a BBC News Brasil, boa parte das áreas foi obtida sem que ele pagasse pelo terreno em si. Lauwiner tinha 32 anos na época da cerimônia de coroação.
A coleção começou em 2014, quando ele completou 20 anos e ganhou do pai um pequeno lote de uso agrícola, de valor simbólico. Ao tentar comprar as áreas vizinhas, não sabia se devia negociar com o governo ou com o município. Pesquisando, afirma ter encontrado uma regra antiga que permite reivindicar terras sem proprietário. Ele diz que a ideia vem do direito romano e rejeita chamá-la de brecha.
Pelo procedimento descrito na reportagem, Lauwiner procura no registro de imóveis terrenos sem dono e apresenta um pedido de ocupação ao município. Depois, só precisa quitar as taxas de registro e de tramitação. Ele vive em Burgdorf, no cantão de Berna, numa casa que chama de palácio.
O jurista Peter Hänni, professor emérito da Universidade de Friburgo, classifica o caso como "incomum, mas não ilegal", com ressalvas. Ele explica que o Código Civil suíço põe os bens sem dono sob a soberania do cantão onde estão. Alguns tipos de terreno, como águas públicas e áreas impróprias para o cultivo, não podem ser privados, salvo prova em contrário.
Segundo Hänni, os cantões podem regulamentar a apropriação desses terrenos, mas não são obrigados a isso, e essa ausência de regras pode abrir uma brecha. Foi essa lacuna, de acordo com a reportagem, que teria permitido as aquisições do suíço.
Lauwiner diz que as conquistas o fizeram se sentir como Napoleão. Ele afirma que não se tratava de simples lavouras, mas de espaços estratégicos, como casas, ruas e terrenos. Para ele, as pessoas se incomodam quando alguém se beneficia demais.
Imagem: Axel Hindemith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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