Sidônio critica cálculo de Flávio sobre juros e corte de gastos
Ministro da Secom diz que 1 ponto de juros vale R$ 50 bilhões; Flávio fala em R$ 100 bilhões. Campanha de Lula afirma que o corte atingiria os mais pobres.
Os números citados vêm de falas de campanha e de uma estimativa de terceiros, e não são oficiais.

- Sidônio Palmeira diz que 1 ponto percentual de juros equivale a R$ 50 bilhões, e Flávio Bolsonaro fala em R$ 100 bilhões.
- A Folha informou que Flávio avalia um corte de quase R$ 250 bilhões em gastos obrigatórios.
- A FECAP lembra que a estimativa do Banco Central mede o efeito sobre a dívida, não uma economia direta no Orçamento.
O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, criticou neste domingo (11) o cálculo do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, sobre como a queda dos juros bancaria o corte de gastos que o PT chama de “tesouraço”. A declaração foi dada a jornalistas no QG da campanha de Lula, no Lago Sul, em Brasília. Para Sidônio, Flávio precisa “aprender a fazer conta”.
Segundo o ministro, cada ponto percentual de juros representa R$ 50 bilhões, e o adversário mistura orçamento com outros conceitos. Sidônio disse ainda que Flávio quer retirar recursos “do povo, e não dos poderosos”. Ele repetiu a pergunta feita pelo presidente: de onde sairia o dinheiro.
O embate começou depois de a Folha de S.Paulo informar, na quinta-feira (8), que o grupo econômico de Flávio avalia um corte de cerca de 2% do PIB, quase R$ 250 bilhões, em gastos obrigatórios. De acordo com o jornal, estariam no alvo a Previdência, o BPC e os pisos de gastos com saúde e educação. Em julho, ainda como pré-candidato, Flávio falou em fazer um tesouraço em “tudo que atrasa o Brasil” e disse à Globo que não cortaria de quem recebe salário mínimo nem de aposentados.
No sábado (10), Lula publicou um vídeo em que desafiou Flávio a explicar a origem dos R$ 250 bilhões. O candidato respondeu que cada ponto de queda nos juros liberaria R$ 100 bilhões no Orçamento e que sua eleição derrubaria a taxa em 2 ou 3 pontos, o que renderia mais de R$ 300 bilhões. Sidônio contestou essa conta.
O Poder360 citou a FECAP, segundo a qual o Banco Central calcula que uma Selic 1 ponto percentual mais alta durante um ano elevaria a dívida bruta em cerca de R$ 57,3 bilhões, valor próximo ao do ministro e abaixo do apontado por Flávio. O texto ressalva que esse número mede o efeito sobre a dívida, e não uma economia automática no Orçamento, e que o resultado real depende da composição e dos prazos da dívida e da trajetória dos juros.
O senador Camilo Santana, ex-ministro da Educação e porta-voz da campanha de Lula, disse que o corte afetaria os mais pobres. Ele mencionou riscos para programas como Farmácia Popular e Mais Médicos, além de merenda escolar, ProUni, universidades e institutos federais, e disse que o mínimo perderia o ganho real.
Imagem: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
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