Marina Silva diz que o próximo Congresso será antiambiental e submisso a Trump
A ex-ministra, que ficou em quarto lugar na disputa por SP e volta à Câmara, afirma que vai focar a campanha na reeleição de Lula no segundo turno.

- Marina Silva ficou em quarto lugar na disputa pelo Senado em São Paulo, com 7,8 milhões de votos.
- Ela diz que o próximo Congresso tende a ampliar retrocessos ambientais, sobretudo com Flávio Bolsonaro eleito.
- No segundo turno, em 25 de outubro, Marina diz que vai focar a campanha na reeleição de Lula.
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o próximo Congresso deve seguir uma pauta de retrocessos ambientais, sobretudo se Flávio Bolsonaro (PL) for eleito presidente. Ela classificou o cenário como "altamente preocupante" e disse temer que marcos regulatórios sejam demolidos, como ocorreu na Argentina. Marina também criticou o que chamou de postura subserviente aos interesses de Donald Trump.
Marina disputou uma vaga no Senado por São Paulo e ficou em quarto lugar, com 7,8 milhões de votos, mais do que os 5,6 milhões que obteve no estado quando concorreu à Presidência, em 2014. As duas vagas ficaram com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP); Simone Tebet (PSB) também não se elegeu. Marina volta ao cargo de deputada federal.
A parlamentar citou como retrocessos da atual legislatura a lei do licenciamento ambiental, aprovada em 2025, as restrições à fiscalização do Ibama e a redução de áreas de preservação e de terras indígenas. A Folha informa que, em 2026, o Congresso deu andamento a um projeto que reduz o poder do Ibama e a um pacote de propostas que, somadas, diminuem em 555 mil hectares áreas de proteção ambiental, o equivalente a 3,7 vezes a cidade de São Paulo.
De acordo com a Folha, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, articulou a criação da Licença Ambiental Especial (LAE), que garante análise prioritária, em no máximo um ano, a projetos escolhidos pelo governo federal por critério político, sejam quais forem os impactos.
No segundo turno, marcado para 25 de outubro, Marina diz que vai concentrar a campanha na tentativa de reeleger Lula (PT), para sustentar "os ganhos que já estabelecemos". Lula ficou em segundo lugar no primeiro turno, com 45% dos votos, contra 47% de Flávio Bolsonaro.
Imagem: Sir.Leo Cabral / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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