Emendas: R$ 7 de cada R$ 10 foram para cidades onde deputados mais votaram, diz O Globo
Levantamento do jornal cruza emendas dos últimos três anos com os votos do primeiro turno; Hugo Motta e Arthur Lira estão entre os exemplos.

- R$ 7 de cada R$ 10 em emendas dos últimos três anos foram para cidades de maior votação proporcional dos deputados.
- Hugo Motta passou de 253 para 1.067 votos em Várzea (PB), onde indicou R$ 1,73 milhão em emendas.
- Motta admite que o desempenho nas urnas decorre das emendas enviadas e defende o instrumento.
Um levantamento do jornal O GLOBO, divulgado nesta sexta-feira (9), indica que R$ 7 de cada R$ 10 liberados em emendas parlamentares nos últimos três anos seguiram para cidades onde os deputados tiveram, no primeiro turno de domingo (4), o melhor desempenho proporcional nas urnas. Nas cidades em que um só deputado enviou mais da metade das emendas, ele ficou entre os três mais votados em 90% dos casos e em primeiro lugar em 70%, segundo a análise.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é um dos exemplos. Em Várzea (PB), de 2,7 mil habitantes, ele passou de 253 votos em 2022 para 1.067, a maior votação local, e a prefeitura recebeu R$ 1,73 milhão em emendas dele, 43% do total desse tipo no período. Em Condado (PB), Motta teve 1.834 votos, 44,7% do total e 656 a mais que há quatro anos, depois de enviar R$ 2,08 milhões, 80% das emendas recebidas pelo município.
Em nota, Motta admite que o desempenho nas urnas decorre das verbas enviadas e defende o uso do instrumento: "A votação é consequência dessa minha atuação". Na gestão dele, a reserva do Orçamento para emendas atingiu níveis recordes: R$ 50,4 bilhões no ano passado e, agora em 2026, R$ 49,9 bilhões.
O padrão também aparece em Alagoas, segundo o jornal. Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado, foi o mais votado em três de cada quatro cidades que receberam emendas dele e ficou entre os dois primeiros em 52 dos 55 municípios contemplados. Em Girau do Ponciano, onde teve 221 votos para deputado federal em 2022, enviou R$ 3,15 milhões em emendas individuais, 78% do total, e agora recebeu 14,6 mil votos; procurado, ele não respondeu.
O levantamento mostra ainda que o resultado melhora quanto maior o peso das emendas no orçamento municipal: quando um único parlamentar concentrou mais de 75% do dinheiro das emendas que chegou a uma prefeitura, em oito de cada dez casos ele foi o mais votado do município.
Imagem: Carlos Moura/Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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