A Margem do Rio e Elza vencem os principais prêmios do Festival do Rio
Filmes brasileiros levam os Troféus Redentor de melhor ficção e melhor documentário; Victor di Marco é eleito melhor ator por London. Evento recebeu mais de 150 mil pessoas.

- A Margem do Rio foi escolhido o melhor longa de ficção e Elza o melhor documentário na 28ª edição do Festival do Rio.
- A organização diz que o festival recebeu mais de 150 mil pessoas ao longo de dez dias.
- Victor di Marco foi eleito melhor ator por London e falou sobre capacitismo no audiovisual.
O Festival do Rio encerrou a 28ª edição com a entrega dos Troféus Redentor, e o cinema brasileiro levou os principais prêmios. O prêmio de melhor longa de ficção foi para A Margem do Rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, e o de melhor documentário para Elza, de Eryk Rocha. A cerimônia ocorreu no Cine Odeon, no centro do Rio, depois de dez dias de programação.
Segundo a organização, mais de 150 mil pessoas passaram pelo evento neste ano. De acordo com a Agência Brasil, as produções premiadas tratam de diferentes experiências sociais e culturais do país.
Elza teve estreia mundial no festival. Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha disse estar muito emocionado porque o filme nasceu no Rio, cidade da cantora Elza Soares e também a dele. Segundo o diretor, o projeto levou anos e incluiu oito anos de filmagens com a artista.
O documentário acompanha a trajetória de Elza Soares a partir da voz da própria cantora, combinando memórias pessoais, música e imagens de arquivo, entre elas cenas de filmes latino-americanos. Para Eryk, o filme fala da mulher negra brasileira e liga a história da artista à do país. Ele também ressaltou a proximidade que teve com a família de Elza durante o trabalho.
Victor di Marco recebeu o troféu de melhor ator por London, longa que teve a estreia mundial em Veneza, em setembro, e depois foi exibido no Rio. Ator, roteirista e diretor, ele usou o discurso para falar sobre capacitismo e sobre as barreiras que artistas com deficiência enfrentam no mercado audiovisual. “Eu sou um ator com deficiência e falo isso com muito orgulho”, declarou.
Di Marco contou que ouviu, no início da carreira, que não poderia atuar por não ter o chamado “corpo de ator”, e que isso o levou a criar uma técnica própria de interpretação. Ele dedicou o prêmio à avó, que o estimulava a repetir cenas das novelas a que assistiam juntos.
Imagem: Dedekinha29 / Wikimedia Commons (CC0)
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